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O Escaravelho Preto e a Couve Coração

As primeiras pragas das couves da nossa pequena hortinha, foram detectadas nas couves coração este canteiro grande onde agora se vê algumas cebolas espetadas, a hortelã e a menta, e os novos inquilinos recém chegados, esteve anteriormente coberto de seis bróculos no meio dos quais, porque me pareceu ter espaço suficiente, cresciam três couves coração. As couves coração cresceram e desenvolveram-se bastante bem por baixo dos bróculos, fiquei contente ao libertá-las por fim quando colhi e retirei os bróculos. Estavam com bom aspecto e pareciam estar quase prontas para rechear uns crepes.

Dois dias depois reparei que as folhas que cobriam o coração estavam roídas e quando observei mais perto apercebi-me do que escondiam, o centro da couve estava bastante verde e tinha grelado, as seguintes folhas estavam totalmente podres, mexi nelas e consegui identificar os escaravelhos pretos, apesar de não serem pretos ainda e terem as asas quase transparentes de escaravelhos recém nascidos. Retirei as couves da terra e cortei-as longitudinalmente à procura de larvas ou outros vestígios, mas não encontrei mais nada, sem ser uma pequena larva branca. Concluí que os escaravelhos alojam os ovos nas folhas da couve enquanto ela está em crescimento, os ovos eclodem e as larvas comem as folhas por baixo das que as escondem, e quando por fim estão prontos para partir, todos transformadinhos da silva, comem as folhas de fora e piram-se. A couve entretanto, sentindo a sua vida ameaçada vai formando grelo em vez de continuar a formar folhas e quando os insectos lhe desamparam a loja, o grelo cresce e dá sementes, victória apesar de tudo a couve sobrevive- O grelo enrolado em forma de coração certamente seria bom de se comer, mas não quis experimentar, estas foram objecto de investigação científica e depois da autópsia alimentaram uns patos e umas galinhas aqui da terra

A Couve Flor

Couve de Bruxelas

A Poda dos Tomateiros

Entre Março e Abril, os tomateiros cresceram muito e a estufa teve que sair dando-lhes espaço para crescer em altura. Fizemos uma estrutura com varas de choupo que encontramos no monte de entulho de jardim que se acumula mesmo em frente ao nosso portã. Alguém andou a podar choupos e veio largar o entulho aqui. O André arranjou um belo molho de varas que guardamos também para futuras construções.

Na altura em que erguemos a estrutura, os quatro tomateiros tinham-se transformado numa autêntica selva. Cada tomateiro tinha entre seis e oito ramadas que se estendiam pelo chão e se empilhavam umas em cima das outras. Comecei por prender os tomateiros à estrutura levantando as ramadas. Uns dias depois o Sr Lourenço veio ver a plantação e dar o seu conselho. Pela sua experiência os tomateiros devem ser podados, assim os tomates são mais fáceis de apanhar, os cachos de tomate ficam maiores e os tomates mais perfeitos.

Ele costuma seleccionar logo no início do crescimento do tomateiro apenas a ramada principal removendo todas as outras. Para exemplificar ele podou um dos nossos tomateiros. “Eu vou-te podar um para tu veres como é que ele fica, mas tu não olhes que é para não chorares.” Ele começou a cortar e foi impressionante como ele viu logo o tomateiro no meio daquela selva em que eu me andava a tentar entender há alguns dias. Ele tirou um mote de rama da tomate deixando um tomateiro aprautado com duas ramadas apenas. Eu percebi que a poda do tomateiro deixava perceber melhor a planta, como ela cresce.

Achei que deveria podar um pouco os outros para me entender dentro deles, mas demorei um mês inteiro a decidir-me a fazê-lo. Na poda que fiz removi as ramadas mais fracas, e todas as que tinham nascido depois dos tomateiros estarem atados à estrutura. O tomateiro que o Sr Lourenço podou não deu ramadas novas, mas ainda não criou cachos. Se um tomateiro não for podado cresce descontroladamente soltando mais e mais ramadas, e gastando força de que necessita para desenvolver os frutos. Agora esperamos para ver os cachos de tomate a amadurecer e ver a diferença do tomateiro que o Sr Lourenço podou. Devo dizer que ele escolheu o tomateiro mais fraco dos quatro para a sua poda. “Eu podo sempre os tomateiros, depois até dá gosto apanhá-los, senão só dá tomate miudo.”

O Canteiro da Salada

Entretanto o tempo passou, floriu a rucla, engordaram as alfaces e a segurelha apurava os sabores da sopa de feijão verde.Vieram as chuvas em Abril para cumprir a tradição e a horta prosperou, trazendo verduras para a nossa mesa.

Andei durante algum tempo à procura de uma calêndula nos viveiros, ou de sementes, mas não conseguia encontrar. Uma dia vinha eu das compras com os pézinhos de beringela e os novos bróculos no saquinho, quando vejo à beira da estrada numa valeta de cimento, a crescer uma calêndula com uma bela flor aberta toda cor de laranja. Fiz inversão de marcha e trouxe a calêndula para casa. Ficou hospedada no canteiro da salada durante um bocado, mas depois mudou-se para o novo canteiro dos tomateiros.

Agora entre as três espécies de alfaces cresce hortelã, rucla, segurelha, aipo, poejo , e algumas ervas daninhas em observação. A framboesa ja está em flor, as chuvas de Abril aqui em Sintra foram generosas apesar de tudo, e deram água fresca às folhas e às raízes.

 

Fevereiro e a Horta Cresce

Um mês depois as alfaces e as couves já tinham crescido um pouco, e acostumado ao local. Plantei hortelã junto às couves e às alfaces para afastar os caracóis, por conselho da minha sogra e devo dizer que resultou muito bem, e ainda-me salvou a vida a uma das couves de bruxelas, provavelmente da família de lesmas que vivem há anos naquele canto, e se alimentam de comida de cão.

Para fazer a estufa utilizei canas finas, duas para cada arco que ficam desencontradas para dar mais flexibilidade. Cheguei à conclusão que o melhor material para unir as canas é a fita cola de pintor, pois fica bastante discreta e oferece firmeza ao material. Fixei o plástico com arame deixando uma parte solta que permite abrir a estufa.

No canteiro do meio plantei beterraba, alho francês, alho e cebola. Semeamos rabanetes, mas eram umas semente já velhas e nunca chegaram a nascer, mais tarde voltamos a semear outros e deram uma bela colheita, agora aguardamos a segunda, mas não sei se sairá bem por causa da vareja como lhe chamam aqui, uma lagartinha branquinha que se especializou em comer nabos e rabanetes. A melhor altura para os rabanetes, e para os nabos, cá em Portugal, é o Inverno, nos meses quentes eles não resistem aos bichos.

Semeei coentros entre as couves e junto ao pesseguiero semeei salsa no canto junto à parede, mas a salsa demorou muito mais tempo a a rebentar. Nesta altura colhiam-se bróculos na horta do nosso vizinho, o Senhor Lourenço. infelizmente as fotografias dos nossos perderam-se em conflitos de electrónica, eram bem bonitos e constatamos mesmo, que sendo apenas para a nossa alimentação a colheita de seis pés de brócolos foi demais, tivemos portanto o prazer de contribuir para a alimentação dos nossos pais e avós. Os bróculos plantados na terra em meados de Janeiro deram fruto no início de Abril, dois meses e meio como nos tinham prometido, depois de retirar o bróculo principal  de cada pé, ainda tivemos bróculos para colher durante duas semanas, o que nos deu 3 semanas de bróculos.

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Horta dos ACAROS – O Início

O lugar já estava marcado há mais de dois anos e tínhamos visto crescer todas as ervas daninhas várias vezes. Aos poucos começamos a controlar manualmente a vegetação, aproveitando o composto criado pelas ervas e folhas no pedaço de terra destinado à horta. Finalmente conseguimos construir a vedação que permitiu isolar o espaço, do recreio dos nossos cães.

Num espaço de 40 metros quadrados temos um bocado de terra do lado direito de 3m por 5m e do lado esquerdo encostado à uma parede de pedra tínhamos outro bocado de terra com uns 70 cm de largura e 3 de comprimento ainda cheio de pedras e urtigas.

Precisamos de ter o espaço bem aproveitado mas olhem que ele bem o merece. Comecei por cavar no pedaço de terra maior, um pequeno caminho levantando os canteiros, A minha ideia de horta sempre se fixou na imagem de canteiros levantados entre caminhos, onde se consegue colocar um banquinho para arrancar as ervas daninhas.

Fiz portanto, um canteiro logo à direita do terreno, que seguia os 3m até ao muro, outro junto ao muro com a profundidade do braço do meu ACARO grande, esse vai até ao fundo e contorna a parede até ao pessegueiro, à volta da árvore ficou outro canteiro, o maior, e no centro contornado pelo caminho ficou mais um.

O primeiro ficou reservado às alfaces, e junto ao muro ergueu-se uma pequena estufa com quatro tomateiros e uma fileira de morangos. À volta do Pesseguiero ocuparam lugar 3 couves de bruxelas, 5 couve-flor e 6 bróculos.

Antigas Piscinas do Vitória

Há um muro que delimita o Parque da Cidade em Guimarães e nesse muro existe um mágnifico painel de azulejos, para o qual vale a pena olhar com atenção. Nós fizemos isso, e gostámos muito, mas não foi o painel que nos atraiu a atenção para este local.

A verdade é que por detrás desse muro esconde-se um monumento abandonado – as antigas Piscinas do Clube Desportivo do Vitória. Os ACAROS vieram visitar as piscinas, que apesar de não serem um aquaparque mereceram o carinho do olhar fotográfico acariano.

Este lugar, entrou em contagem decrescente há mais de vinte anos. Parace que por falta de normas de segurança, não foi possível manter o espaço aberto. As tecelas dos mosaicos devem ter saído de moda.


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O incógnito continua a ser a única resposta, quanto ao futuro destas pistas, onde actualmente habitam algumas famílias de rãs e umas plantas, juntamente com a prancha de salto e mais umas tralhas. De desporto e lazer, ocupa-se o tempo e os raros visitantes.


Para nós ACAROS, o espaço é lindo por si só, tal como é. O ideal seria inserí-lo no espaço do parque urbano, como uma relíquia. Mas sendo isso uma utopia fique apenas o registo, inserido na memória, para que se possa ver com o tempo, o que o tempo mudou.



Na jornada do tempo (Parte II)

O Renascer da Mente

Sem verdadeira espera viviam lá, na trasparência do olhar

As duas almas, em genuína ansiedade

Foi por ingénua curiosidade que elas viram da janela a chegada

Dormia lá acorrentado pelas trevas

Um ser atormentado, sem te sentir chegar

Lá estavam elas

As entidades da razão devotas à observação

À espera da jogada certa para lançar a sua intenção

Surgia pela madrugada o ser malicioso, de sorrizo animal

Forjado pelo sofrimento outrora derramado pelo seu punhal

Foi a ausência de sentimento que o impediu de perceber

Aprisionado no lugar do corpo ele existiu

E limitou-se a seguir aquilo que não conseguia ver

Subiu os muros avistando uma presa

E foi também surpreendido pela força do poder

Ele rendeu-se a vasculhar

O espaço que lhe era tão famíliar

Pela promeça de te agarrar pelo cabelo

E de erguer em cruz as lâminas na ira de cortar

Não me libertes neste pesadelo – clamavas tu

Segura bem a minha mão – dizia ela

Há uma luz que se liberta deste elo

Há nele uma tentação que atrai todas as criaturas

E espalha-se pelas paredes lisas até aos cantos mais obscuros

É uma força que invoca sem questionar a forma de pensar

Existe em nós uma tensão capaz de explodir no ar

Capaz de separar as almas e os pensamentos

Fundir e transformar a ordem dos segmentos

Nesse lugar em que habiata consciência depois do corpo desmaiar

Posso te dar a minha essência em que te vais deixar levar

Dou-te a chama da paixão neste encantamento

Só tens de ser capaz de a segurar na tua mão para que no calor da emoção

Se espalhe a onda do momento, presente no teu pensamento

És vida pura que inspira o olhar

És a figura ondulante do saber, que ousa ver

Há energia no teu punho pronta a disparar, e enfrentar a entidade

P’ra reclamar o que é teu, já que não é assim por unanimidade

Pois não pretence a outras mãos a chama que em ti se acendeu

O fogo derramado sobre gelo

Vai derretê-lo quando lhe tocar.

É o momento certo para atacar.

Ajusta-se em ti o plano de focagem manual

Na luta contra a máscara que esconde o rosto da mensagem

Para mostrar que o poder da arma é virtual

P’ra quem revela a miragem, da alma que agora se tornou real.

Fez-se mulher a tua alma,

Rompeu com punhos e coragem

Determinada a abrir passagem

Contra a legião armada de poder

E o soldado – gelo que o fogo derreteu

Não se rendeu nem ripostou, foi nele que a tua mira se ajustou

Foi rápida demais a tua intervenção, não deu lugar à reacção

Foi a jogada em que o jogo se virou

Caminho livre - Entraram leves como o ar na outra dimensão

As duas almas prontas para apreender a nova vida

Como quem sonha antes de acordar,

Naquela  inocência que não duvida,  ganharam força para a levar

Presas na transparênca de um plano paralelo

As manas procuraram o amor escondido no novelo

E foi nesta figura que encontraram a amostra desse elo

Sentiram o seu peito novamente a respirar

Fieis, na porta do saber elas surgiram para renascer

O mundo não foi seu p’ra não explorar

Fora da lógica que te ditava a razão escrita pelas entrelinhas da históra

A arma de poder na tua mão guiava-te pelo calor da emoção

Na intenção de castigar um ser isento de memória

Havia um preço a pagar, p’ra quem ousou cortar o laço

Quem mais lucrou com este desenlaço foram as manas

Que arrumavam calmamente a bagagem

Entusiasmadas por seguir viagem

De feições nítidas e firmes – quase humanas

A lágrima na face pálida, escorria disfarçadamente,

Ela sentiu entrar em jogo o poder de outra mente

Porque o soldado obedecia à voz da entidade

Mas segurava na boneca sem verdadeira vontade de a quebrar

Sem aguardar pelo momento da verdade

Viraste-te num gesto de revolta pertinente

E obedecendo à postura imponente soldado

Passaste fielmente a arma à entidade

Deste-lhe liberdade para vos levar.

Daqui, na direcção daquilo

Que só o tempo pode revelar.

Mega 2011

Árvore da Vida

Gertrudes era bela
Algo de outro mundo
Habitava nela.
Que projectava
Uma outra dimenção,
Onde viviam em comunião
Todas as criaturas diferentes.
E seus olhares pertinentes,
Dançavam
Ao sabor da sua mão
Sobre as pedras quentes,
Nos cheiros dos legumes
Misturados no seu caldeirão
E no sabor do pão

Pos foram eles, entre outros
Os habitantes dos espaços
Que ela construíu
Trazendo cada pedra nos seus braços
Cresceram neles rodeando-se de terra,
Muitos laços,
Abraços e contestações
E ressoaram nestas pedras as canções
Elas ouviram os seus paços
Gravaram as opiniões
Num mundo que já era uma esfera
Mas que se transformava
Na presença de Gertrudes
Dando passagem à quimera
E o conhecimento
Misturava-se com a crença
Tecendo um panorama transcendente
Cruzando ilusão e fantasía
Num ordinário tear…
Ela, ouvia-os falar.

Gritava-se a saudação
Pisava-se a uva p’ra fazer o vinho
Passava já da madrugada
Mas a Gertrudes não queria acordar
Ela ouvia entre as pedras
Alguém a conversar baixinho
Sobre as sombras que dançavam
Ao luar no seu jardim
E como ele feito arlequim
Lhes dispertava a folia delicada
E lhe pintava no calor do alecrim
Com traços arejados pela hortelã…
O Espírito da guardiã
Para que ela reunisse
Todos esses fios
Com mãos de tecelã
Apadroando este ninho

Neste jardim a sucessão dos acontecimentos era relativa
E não deixava outra alternativa, senão
Deixar viver ao mesmo tempo todos os momentos
Independentemente da ausência de alguns segmentos
Esta, era a teoria de Gertrudes
E era para ela o fundamental, que a fazia sentir viva
Por isso ela desenhava tudo numa nova perspectiva
E embrulhava os novelos cuidadosamente, um a um
Guardando-os na mesma cesta

Gertrudes reinava
Gertrudes fazia magia
Travava batalhas
E festejava vitórias
Gertrudes crescia
Cumprindo as histórias
Ela sentava-se no chão
P’ra amassar o pão
Atenta ao calor
Da água na panela
Sobre o fogo na lareira
Gentil e bela
Ela corria
Pelos seixos da ribeira
Dançava em círculos na eira
E entre muros sólidos
De pedra amarela
Ela voava e sorriia
Ela olhava, mas não via

Passava rua acima
E ocupada na sua rotina não notava
O murmurar das pedras fartas de esperar
Alguém que as viesse habitar
Porque Gertrudes não sentiu passar o tempo
Ela ficou como quem quis ficar

Gertrudes inspirou o ar naquele mundo
E acoelheu na sombra dos seus ramos
Os que souberam encontrá-la.
Ela lançou a sua copa na cadência do vento
Cresceu na força do seu pensamento
Deixou brilhar as suas folhas ao luar
Deixou cair as folhas repetidamente
Estendeu os ramos
Procurando abraçar aquela gente
Ela amou uma aldeia inteira
Erguendo-se à beira do caminho
E enrolou a vida em remoínho à sua volta
Era silente e erudito o olhar da criatura
Ela ficou, e aguentou o vento violento
Sangrando através da pele escura.
Circula-lhe nas veias
A memória ausente dos antepassados
De todos os caminhos por ali cruzados
De todas as viagens acabadas
P’ra ela esta foi a terra prometda,
Ela ficou, acompanhando a cada passo a partida
Gertrudes foi a cor que deu àquela vida
E fez-se árvore, de uma semente que ali ficou caída.

Na Jornada do Tempo (Parte 1)

À procura da Rosa

Já ninguém sabe a razão. A consciência mudou, restou apenas a presença e o espaço. O mundo como foi, ficou apenas na memória. O tempo dissolvia lentamente o contexto,  sem verdadeiro pretexto nem satisfação. Houve apenas uma flor que conservou em si a salvação, e padeceu sedenta de amor. Ela surgiu em solo infértil, gerou sozinha a essência, e entoando numa nova frequência a beleza esquecida – Foi ouvida.

Eram as entidades, atentas aos sinais! Elas souberam encontrá-la, Elas queriam preservá-la. Era a única que poderia projectar a vida, contida numa cápsula onde o tempo não ditava leis. Para que o poder da posse pertencesse novamente aos generais.

Ouvindo-a também, saíram outras criaturas. Elas sentiram na oscilação do ar que havia vida a pulsar algures. Liam-se no olhar as suas intenções obscuras. Elas queriam alcançá-la, queriam arrancar-lhe a beleza e devorá-la.

O General atento à presença e à ausência, notou o aparecimento de mais uma consciência.  Não lhe escapava nada que não fosse igual ao resto.  Ele ditou a ordem, com um gesto, para que o seu delegado fosse averiguar. Nada podia ser deixado ao acaso, era preciso continuar a conquistar.

Foi o soldado seguindo ordens do seu superior que a encontrou deitada sobre lâminas de mármore descolorada.  Também sem cor a sua pele estalada tinha esquecido o desejo de ser encontrada. E ele observou nesta figura delicada a mágoa parada no silêncio. Mas apesar do movimento congelado num momento alheio, ela parecia pertencer ao meio, não fosse uma alma reclamá-la

O General desceu a tempo de a agarrar. Foi para ela um tropeção na ordem do destino mas não a fez parar. Era a única que possuía coração, a única capaz de amar. Ela gritou tentando-se soltar. Ele, sem aptidão para interpretar a emoção não foi capaz de segurar a sua mão a força dela foi superior ao que olhos conseguiam ver.

Todo este movimento fazia despertar as criaturas que se aproximavam rastejando possuídas de querer. Elas ouviram pele a rachar sentiram gelo a derreter. Lançavam-se e ansiavam agarrar a forma do prazer.

Elas erguiam-se à luz do dia ameaçando atacar, perdendo o disfarce que as protegia. A sua súbita aparição interrompeu a intenção da entidade que se virou forçada a repostar.

A única que possuía uma alma pura, entregue novamente à fantasia tentou reanimar a pele fria, porque o amor que as prendia não se podia desfazer. A alma destinada à procura queria ver a outra renascer.

Eles aprisionavam quem quer que lhes cruzasse o caminho, coleccionavam tudo que lhes agradasse ver. Era tudo de seu direito neste mundo, pois eles seguravam pela arma o poder e o seu objectivo era ter, tudo que fosse diferente. Eles ambicionavam o domínio absoluto sobre qualquer população. Era indispensável estudar a situação. Era preciso ponderar medidas, criar estratégia antes de actuar.

Em que lugar decorrerá o sonho em que vagueia sem tomar nenhuma direcção? Será que aguarda que alguém lhe dê a mão. Alguém que estabeleça a ligação entre a realidade desfocada e a ilusão real.

Na sua busca incessante ela querendo continuar a procurar – ousa tentar. E acredita ser capaz de a levantar e de lhe dar movimento para que participe neste jogo. Sozinha ela não tem alma para se afirmar sobre o terror que a afoga.

Quem joga afinal? A peça? Ou quem lhe ordenou a posição. Será que se protege ou se sacrifica o peão?

Optava-se por conservar este momento de tenção atrás grades, moviam-se as peças abusando do poder da arma. Deixava-se no tabuleiro uma disputa entre o pavor e a tentação. Agora que havia uma alma para torturar eles sentiam plenamente a satisfação de controlar.

Bastava apontar a mira para subordinar a  situação. Era possível transportar a ansiedade de um momento para outra dimensão onde ela existia com a mesma intensidade no decorrer do acontecimento.

Foi lhes atribuída isenção da liberdade, foi subjugado o direito à acção. Agora pertencendo ao poder da entidade, eles moviam-se isentos de razão.

A entidade dominante ouvia a emissão, e o sinal de luz dizia-lhe que a vida tinha entrado em difusão. Teria sido distracção ou era mesmo essa a intenção? Era precisa uma alma para solucionar a equação.

Devota e determinada a quebrar a solidão, ela pegou na rosa prometida com a sua mão.

E ofereceu a quem tinha doado o amor e a dedicação.

A flor era a chave capaz de despertar a vida, guiar até à luz quem se perdeu na escuridão, e fê-la renascer. Mas este era só o ponto de partida, a verdadeira jornada ainda estava por acontecer.

Eles prometem continuar a Aparecer…


O Reflexo do Lugar

Cruzam-se universos na matéria do ser e do usar

E contam cada um a sua história, esses fragmentos de memória

Dualizando a passada em que vais entrar

Onde te acompanha o reflexo do lugar

Lá do lugar, eu vejo-te fugindo da sinceridade

Escapando através do medo que te segue pelo chão

Observo-te atentamente,

Esperando com o meu olhar chamar a tua atenção

Ele seguiu-te pelo som da tempestade

Tu abordaste-o, aprisionada nas ruínas da razão

E encontraste no olhar do medo, a vontade

Que apareceu erguendo-se no limiar da tua imaginação

Fitando-te das trevas, retratos esquecidos

Pretendem possuir o pensamento

Baloiçam nas correntes dos momentos já vividos

Distorcem subtilmente os sentidos – quebrando o momento

E no chamar da luz eu tento agarrar-te pelo lado escuro

Será que és quem eu procuro? Será que vês?

Será que é  tua, a sombra aos teus pés?

Diz-me que és – em que futuro!

Ela parou e respirando assustada olhou em seu redor

Atordoada pelas mãos alheias que lhe chegavam quase até à alma

Ela foi seduzida pela força do terror

E renasceu maior no sussurar da noite calma

Cansada e magoada pelas sombras do destino

A vida do lugar abandonado ainda espera salvação

Apela aos ventos e à escuridão

Uma visita de um pensamento peregrino

Um pensamento que os atire das janelas da razão

Um movimento ao som da imaginação

Um sopro que soubesse inverter a direcção

Em que se segue na perseguição

O que encontras tu espreitando-me pelo quadrado

Quem vês do outro lado?

Será que te revela a verdade?

Sabes que noutro patamar

O céu invade o telhado

E um ranger faz-se escutar

Dela, que tenta alcançar-te através do muro

…É a cegueira do seu olhar que queres trespassar

É dela que pretendes apanhar o pensamento

Aquele que encaixa subtilmente

E que te faz também pensar

Quebrando muros sem questionar ninguém

Sem revelar de onde vem

Ou se chegou para te libertar

É pelas fendas que te segue o olhar

Que aguarda pacientemente o momento

Em que a sua determinação atinge o objectivo

E ela invade a razão para te transformar

Porque tu és o seu motivo

Mas é a tua sombra que te vai reanimar

É ela que agora vai reinar neste lugar

Porque és tu que vais ficar…

 

Alice Coelho

 

Águias e Falcões

O olho nunca para, a oportunidade pode surgir a qualquer instante e após uma busca prolongada surgem finalmente as primeiras imagens captadas dos tão queridos habitantes dos nossos céus. Logo no mesmo dia tiveram o prazer de nos saudar com a sua presença o Falcão peneireiro e a águia-de-asa-redonda.

Furador

A melhor fotografia tirada esta semana nas ruínas da casa de campo no mato grande associada à cache “Aves de Rapina no Mato Grande” pretence ao Kelux.

Ruínas de Porcelana

Primeira abordagem

Já era noite, sguiamos por uma estrada escura e silênciosa e o nosso novo amigo GPS mostrava a existência de um “tesouro” escondido logo ali perto da estrada. Ainda há pouco um passeio pelo campo escuro no clube desportivo de Belas tinha deixado adrenalina a circular nas veias. O ladrar de um cão aproximando-se do escuro deixaria qualquer pessoa desconfortavel, mas essa, – Ora bolas! – já tinha ficado para trás com essa mesma expressão.

As Ruínas de Porcelana estavam logo alí à direita. O André encostou o carro junto a um sinal de tranzito interdito pendurado num entrelaçado de aço. A Lucinda dormia sossegadinha na sua cadeirinha, a Flexa ainda a recuperar da anestesia no banco de trás, o gato na bagageira. Saí sozinha apontando a lanterna para a escuridão, onde se avistava um edifício de grandes dimensões. Espero que por aqui não haja cães! – pensei eu. O GPS apontava para a direita. –  Ohhh! não está dentro das ruínas. Procurei debaixo de pedras. E não é que ela estivesse muito escondida, mas debaixo da escuridão não foi fácil encontrar a pedra certa. Um quarto de hora, ou vinte minutos. Eu já me estava a demorar demasiado. As ruínas da Fábrica de Cerâmica de Vale de Lobos atraíam-me e a cache nunca mais aparecia. O André businou do carro, mas eu não estava pronta para desistir, insisti portanto, e consegui dar com ela. Dei uma vista de olhos pelo logbook. Pareceu-me estranho as pessoas que o visitaram terem deixado a impressão de que o sítio era assustador e que até de dia podia causar arrepios. Já senti mais medo em sítios menos estranhos e durante o dia. Não sei se tenho bons sensores ou não, mas seja como for não havia naquele lugar nenhuma energia que interferisse de forma negativa com o meu ser. Depois de assinar a minha visita no logbook da cache, não resisti em “sequestrar” um bonerco que lá estava, apesar de não deixar nada em troca do boneco, mas deixei lá um TB que já andava connosco há algum tempo. O boneco era um daqueles monstros imaginários bem musculados, uma mão de fogo e a outra com garras, umas espinhas nas costas em forma de asas, cara de polvo, cornos e cascos. O André adora esses bonecos, e deste sítio magnífico eu tinha que lhe levar tão belo presente. Depois de arrumar a cache no sítio, com o devido cuidado para que ficasse bem escondida, corri em direcção às ruínas da fábrica. Não podia ir-me embora sem dar pelo menos uma espreitadela no interior. Entro lá dentro e aponto a lanterna, deparo-me com uma profundidade que a lanterna não iluminava, o espaço era enorme, dou mais alguns passos e vejo um forno em corredor construído em tijolo, ilumino o interior e mais uma vez não consigo ver o fundo. Preocupada com tempo não me aventurei mais, mas o bichinho já foi plantado.

- O sítio é brutal! – Disse eu entrando no carro.

- Encontraste a cache?

- Sim, sim! Olha, trouxe-te um bonequinho. – Ele observa o boeco com entusiasmo.

- Não estás bem a ver, o sítio é BRUTAL! É enorme, tem um forno em corredor que nem vês o fundo. – Eu não me calava.

A Lucinda continuava a dormir e a Flexa suspirava no banco de trás. O Saramago raspava a caixa de cartão na bagageira sem perceber nada.

- Temos que voltar lá. – Dizia eu quando já seguiamos viagem. – Temos que ir lá durante o dia e tirar umas fotografias. Aquilo é enorme, é espectacular! Vais adorar!

Isto foi na quinta-feira, na sexta ainda falei do sítio ao mano João com o mesmo entusiasmo, e sempre que havia oportunidade soltava-se o meu entusiasmo em vóz alta. No sábado tivemos que fazer o mesmo caminho. Novamente com a Flexa que foi trocar o penso da cirurgia. Saímos do IC junto ao Palácio de Queluz.

- Vamos lá! Vamos lá!

Ainda descobrimos alguns “tesouros” pelo caminho e finalmente o carro encostava na berma junto ao mesmo sinal. O sol ia bem alto, o tempo era todo nosso.

A aventura nas ruínas de porcelana

Começamos por espreitar os fornos. Era sem dúvida grande, o espaço, ainda maior do que tinha parecido na primeira visita. A Lucinda não hesitou em correr em direcção ao interior do edifício nem a Flexa, que já estava toda entusiasmada com o passeio. Avançamos depois de tirar uma fotografia ao magnífico túnel de tijolo. Cantos e recantos, andares e patamares, que sítio! As espectativas foram superadas pela dimensão e pela diversidae. Contadores de elecricidade antigos, velhos e ferrugentos, tijolos por todo o lado, algum lixo e fitas da GNR por todo o lado. O André foi o primeiro a aventurar-se para o primeiro andar, verificou se seria seguro para nós subirmos, as suas meninas favoritas. Lá em cima havia uns bonecos de cartão, daqueles de fazer tiro ao alvo, calculamos então, que o espaço tivesse sito utilizado para treinos dos agentes da GNR. Andamos por todo o lado, espreitamos todos s cantinhos. Estavamos ansiosos por encontrar alguma coisa interessante que pudessemos levar para casa como souvenir, mas o espaço para além dos tijolos e algumas tábuas estava bastante vazío. Saímos pelo lado oposto do edifício e fomos explorar um estaleiro grande construído no patamar superior à direita do edifício principal. Um grande portão de ferro ressoava movimentado pelo vento criando uma banda sonora apropriada a um espaço industrial abandonado. Havia uma empilhadora estacionada no meio do estaleiro, fitas de borracha acumuladas no chão e macanismos enferrujados suspensos sobre roldanas. Nas trazeiras do estaleiro estavam paletes cheias de tijolos de betão, e telhas quase novas ainda embaladas. Tanto material de construção desperdiçado. Dava vontade de o vir buscar para construír uma casa algures. Passamos pelas cordas azuís deixadas juntamente com alguns pneus resgados no exterior, e voltamos à frente da fábrica.

Do lado esquerdo estavam três cisternas e uma máquina não sei bem de quê, de grandes dimensões. Deste lado o edifício escondia uns anexos e uma chaminé alta de tijolo. Estavamos prestes a chegar ao climax da nossa expedição. (O André incentivou-me e eu não fui de modas.)

- Épah! Era giro tirar um foto vista de cima.

- Eu subo! Eu subo! E sou capaz!

E sem pensar muito toca a subir. Primeiro tentei subir para a cisterna central, mas a meio da escada reparei que um dos ferros que a segurava estava muito enferrujado e parecia mesmo estar a desfazer-se. Desci e subi para cima da primeira. A subida foi mais cansativa do que eu pensei que seria, e a partir da metade da subida deixei de conseguir olhar para baixo. Lá em cima as mãos seguravam com força a estrutura de apoio que abanava e não transmitia segurança. Tirei algumas fotografias mas a vista lá de cima não era muito diferente do que a do nível do solo. O sentimento de realização é que sim, esse foi muito agradável, já faz algum tempo que eu ameaçava subir uma estrutura ssim do género.

Novamente com pés no solo, fomo explorar a chaminé e não é que na antecâmara do forno o André encontrou cartuchos de bala. Cartuchos de balas verdadeiras! Nunca tinhamos encontrado tal coisa em lado nenhum. – Que belo souvenir! Exploramos o chão e encontramos mais alguns que levamos connosco. Até encontramos uma bala intacta, mas essa ficou por lá, não nos fosse explodir no bolso. A Flexa não gostou muito deste espaço e rosnava baixinho, mas a Lucinda sempre divertida, e nós também.

Antes de ir embora fomos ainda explorar um edifício que fica mesmo junto á estrada. Tinha uns paineis de azuleijos nas paredes, amostras certamente, da azuleijaria fabricada neste estabelecimento. Mas este edifício não era nada interessante como os outros. Demos assim por terminada a nossa exploração. Agradecemos ao Kelux por esta magnífica experiência. Valeu!

Aves de Rapina no Mato Grande

Neste país, felizmente, ainda existe muito mato. Aqui na nossa terra existe um, que além de ser mato é, ainda por cima, grande. Chama-se Mato Grande. O Mato Grande é um planalto extenso, não cultivado actualmente e é um importante território de caça para diversas aves de rapina. Lembram-se do grande incêndio que houve em Sintra no Verão de 2oo6… Uma grande porção deste mato grande, incluíndo parte do pinhal foi consumida pelas chamas. As chamas consumiram também grande parte da vegetação desvendando por detrás de um emaranhado de canas uma casa de campo em ruínas que mais tarde visitamos imaginando como seria a sua vida em outros tempos.

O fogo afugentou os pequenos mamíferos que habitavam o Mato Grande,  privando por consequência as aves do seu magnífico terreno de caça. O habitat foi restituído em cerca de ano e meio e as aves voltaram. Quem por lá passe observando com atenção o céu, as árvores (as vivas e as secas) e os cabos e postes de electricidade verá certamente algumas delas. A águia-de-asa-redonda e o falcão peregrino comum são os clientes diúrnos mais frequentes deste “estabelecimento”. Durante a noite este território é dominado pela coruja das torres e o mocho galego.

Para quem visite este local à procura da micro escondida nas ruínas abandonadas da casa de campo, fica aqui um incentivo para que prestem atenção aos seus habitantes naturais. Se conseguirem fotografá-los ainda melhor, nós prometemos colocar a melhor foto da semana*, publicada no nosso blog.

*Para a escolha da fotografia prestamos atenção ao detalhe da imágem, enquadramento, originalidade e o factor C, obviamente :) , se quiserem que a vossa fotografia apareça nas páginas do nosso blog basta pedir com jeitinho ;)

Ficam aqui algumas dicas para quem estiver interessado em captar um momento Nacional Geographic:

A águia-de asa-redonda, costuma poisar em postes de elecricidade árvores altas ou troncos secos que lhe permitam uma boa visibilidade. Voa alto com um bater de asas lento em circulos planos. É uma ave grande tendo de envergadura de asa cerca de 1,20m. Não é difícil avistá-la por estas bandas.

O Falcão voa geralmente a uma menor altitude poisando sobre os cabos elecricos. Tem um bater de asas rápido e por veses fica parado no ar, batendo as asas quando se prepara para caçar uma presa. Tem um porte muito mais pequeno do que a águia. Estes dois não são confundíveis. A probabilidade de avistar um ou outro é bastante grande sendo no entanto mais certa a presença de falcões.

Os nossos encontros com águias e falcões são frequentes, digamos mesmo diários, já lhes conhecemos os voos e os poisos, já os vimos de longe e de muito perto, mas ainda não nos aplicamos o suficiente para apresentar fotografias de autoria ACAROS com excepção da aguia-de-asa-redonda que foi possível fotografar no Badoca.  O momento mais especial que tivemos com a águia-de-asa-redonda foi uma vez vimos a águia poisada mesmo ao nível dos nossos olhos  a uma distância de uns 4 ou 5 metros, num cabo elécrico, penúgem escura patas amarelas, ombros largos, olhar atento,  ela olhou para nós e depois abriu as asas e planou na direcção oposta.

A coruja das torres pode ser avistada de ralance no seu voo silêncioso com as suas asas brancas no negro da noite. É possível vê-la poisada sobre um poste, ou tronco baixo, mas bastante improvavel. Talvéz seja possível vê-la a caçar a presa presseguindo-a rente às ervas ou a passar em frente ao carro atravessando a estrada.

O mocho galego gosta de ficar poisado em postes e troncos baixos ou altos, observando. É mais simples de avistar e de captar em fotografia.

Os encontros com as aves nocturnas não são tão frequentes mas mesmo assim já tivemos momentos muito especiais que quero realçar. Uma coruja pousada num poste baixinho, paramos o carro, ela virou a cabeça para trás e observou-nos, depois abriu as asas e voou num voo incerto para nos despistar caso pretendessemos seguí-la. Outra vez aconteceu bater num mocho que voou contra o para brisas do carro, ele caiu no chão e ficou atordoado por instantes. Saí do carro e olhei para ele durante 3 ou 4 minutos, não sabia se ele estava bem, é lindo e os olhos assim vistos de perto são assustadores, de uma profundidade tal que nem sei dizer se é de não tirar o olhar ou de não conseguir fixá-los, é arrepiante. Depois ele levantou-se e saltitou para as ervas, coitadinho que susto.

Henrie is going on a trip

Message from Henrie to Whoever give him a ride:

” My big goal is to meet the australian crocodile in his natural habitat, but I also would like to live other adventures on my way and to meet all kind of crocodilians there might exist in the world.”

Henrie é um crocodilo ambicioso que resolveu partir em viegem para conhecer os seus semelhantes pelo mundo fora. Ele quer ir até à Austrália porque ouviu dizer que havia crocodilos muito grandes nessa terra misteriosa. No entanto Henrie não se contenta apenas com uma viagem de cache em cache e pelas mãos das pessoas até à Austrália, ele quer marcar a sua viagem conhecendo todo o tipo de crocodilos que existam por aí, sejam eles vivos, bonecos ou imaginados na hora e representados em qualquer tipo de material. Vamos acompanhar a viagem do Henrie pelas fotografias que ele conseguir coleccionar. O Henrie não tem pressa de chegar ao seu destino, ele gostava de viajar por muitos paises para conhecer os seus habitantes  crocodilideos.

Antes de partir ele deu a volta à casa para se despedir dos seus amigos. Foi uma longa despedida fica aqui um resumo.

on a trip

Os ACAROS e o GEOCACHING no ponto de partida

Os ACAROS, eles são assim. Andam por aí a explorar o mundo ao pormenor e depois respiram e dizem que viram coisas. Ou numa rajada de vento são arrastados para longe. – Possa! Onde é que eu estava? – Deixa cá ver. Onde é que eu estou? E lá vão eles explorar os cantos à coisa, e depois respiram, e depois se não houver mais vento, toca a mecher as patas, há que ver o que há por aí. Enfim, os ACAROS são caprichosos, minuciosos, o sumo da vida é andar à procura de uma coisa e encontrar muitas. Então eles andam de olhos bem abertos que é para encontrar o maior número possível de coisas interessantes. O que acontece é que quanto mais coisas eles vêm, mais interessantes elas se tornam. Os ACAROS são ambiciosos, eles gostam de contar as coisas, de as identificar, de dividir e caracterizar e de associar coisas às coisas. E vem daí uma geometria complicada portanto o melhor é passar à frente, assim já deu para ficar com uma ideia geral do tipo de gente que eles são.

Agora para quem não sabe, passo a explicar um conceito novo que nós também aprendemos aqui há tempos e que se revelou numa coisa interessante. “Captados à primeira pelo Geocaching.” E é assim! – Recomendamos vivamente! Vem um dia o João, falar de uma coisa com esse nome, e ficamos logo a pensar –  Espera lá! Essa coisa parece interessante. Isso é o quê, é um jogo? É uma actividade, um passatempo, um hobbie? – Fixe! É um Jogo! Bora lá jogar! E coisas associadas às coisas vai-se a ver e a coisa é até internacional, mundial mesmo! – O quê?! Há contentores escondidos pelo planeta inteiro onde tens um lápis e um bloco onde podes assinalar o teu nome e pôr a data? Bora lá procurar um? Há um aqui ao pé? – Há em todo o lado! Mas para aqueles cujo interesse não se cativa com um bloco e um lápis para escrever um gatafunho eu vou explicar isto um bocadinho melhor. No entanto, como já existe uma explicação bem elaborada o que aconselho mesmo é seguir o link e ver o vídeo de apresentação no site oficial www.geocaching.com.

O Geocaching é uma caça ao tesouro mundial que requer a utilização de alta tecnologia, nomeadamente a internet e um aparelho de GPS. Toda a informação está no site, é lá que devemos “ir” em primeiro lugar, pois é lá que vamos encontrar as coordenadas que nos levarão ao lugar da cache. Na verdade a nossa aventura não foi bem assim. O João que já estava mais entendido na coisa já tinha as coordenadas no GPS e a referência de uma cache ali na Quinta do Marquês em Oeiras. Demos por nós num relvado entre oliveiras velhas e foi aí que nos apanhou de repente, as oliveiras eram um espanto! É verdade que mesmo vistas de longe elas mereceram o comentário, mas para quem já tinha passado por elas centenas de vezes, aqueles minutos de companhia íntima no mistério do lusco fusco iluminado por candeeiros de jardim, foram de encher o peito, devem ter sido uns cinquenta minutos. Deu para explorar aquelas árvores por fora e por dentro. Sabem como são as oliveiras. –  Não é? – Cheias de recantos inventados no tronco pelo tempo, buracos e buraquinhos com espaços abertos no interior e passagens secretas, ramos embaraçados, entrelaçados e entrançados escondidos sob a folhagem miudinha e densa da copa. Epáh! Valeu a pena ter ido procurar lá o contentor com o bloco e o lápis, apesar de não o termos descoberto, ficou prometida uma segunda visita a estas meninas. E depois já estavamos sentados no paredão do passeio marítimo e entre as pedras de chisto quentes descobriamos a nossa segunda cache, umamicro, com vista para o Bugio e para a outra margem. A primeira, foi mesmo tradicional uma perfeita tuperware com um bloco um lápis e uns artefactos deixados por aqueles que já lá estiveram, num caminho ladeado de chopos no Cabo Submarino, uma cache em homenagem às comunicações, um bom começo. Depois em casa lá fomos explorar o sítio na internet, percebemos que as caches têm história marcam lugares com história e ganham história ao longo da vida. – Olha que bom, construir história! E a interligação, hã!? Espectacular!

Bem! De ACAROS que somos, não nos faltou entusiasmo para iniciar a colecção. – Vamos lá recolher informação sobre o mundo que nos rodeia, que disso nós gostamos muito. Um óptimo pretexto para ir explorar, respirar, e para depois contarmos o que vimos. Para os que não virem ficarem a saber também, o que existe. Surgiram logo alguns lugares muito importantes sobre os quais nós temos coisas para contar ao resto do mundo. Há um pinhal habitado por fadas e duendes para quem quizer que eles lá habitem, é o Pinhal das Fadas e há o Pinhal das Bruxas onde as pessoas despejam lixo. Os ACAROS aqui da zona bem que se esforçam pelas Bruxas, e houve uma vez até, que apareceu um camião e uma escavadora e limparam um buraco do tamanho de meia piscina municipal do Campo Grande que estava cheio de entulho e de pneus, ficou muito mais bonito o local. Há por aí também, uma cascata e um trilho que serpenteia nas margens de um rio que vai desaguar na praia, por entre a vegetação do vale passando pelo pinhal e pelas dunas. Há becos inspiradores escondidos nas aldeias cujas ruas são descritas em versos e vivem aves de rapina nestas paragens. Águias,  falcões, corujas e mochos, sobrevoam planaltos e vales de dia e de noite. Há nestas paragens informação vital sobre o nosso ecosistema, que queremos partilhar.

Quem descobriu o interesse destas caçadas, descobriu também que para além das pesoas que podem viajar o mundo, e da informação que elas podem levar consigo, os objectos têm direito a conhecer o mundo e a contar a sua história. Tudo isto graças à internet e a um pretexto. Atribuímos um código a um objecto, que pode ser registado no site e lá vai ele pelo mundo fora de mão em mão, de cache em cache, recolher histórias, fotografias. cada pessoa que vê regista e a história vai-se criando com pouco esforço. E logo pensamos. – Também queremos. – Queremos mandar um crocodilo para que conheça outros crocodilos e que coleccione fotografias dos seus semelhantes, e uma chupeta da Lucinda para dar a volta ao mundo. – Parece engraçada tal possibilidade.

No final de contas foi inevitavel, O ACAROS combinam muito bem o o Geocaching, portanto tornaram-se amigos chegados e agora gostam de fazer coisas juntos.


Auto-retrato colectivo do Movimento ACAROS

Nós somos muitos. Nós somos chatos. Nós estamos em todo o lado. Nunca ouviste falar do Movimento ACAROS?! Algumas pessoas nasceram para sonhar, para idealizar o mundo e ver paisagens para lá do quadrado. Há pessoas que dificilmente esquecem o que eram enquanto crianças e acreditam nos valores que lhes foram ensinados. Essas pessoas habitam um planeta chamado Terra e apesar de serem sonhadores gostam de assentar os pés no chão. Estas pessoas exploraram o chão onde poisam os pés, e o que está por baixo desse chão. Encontraram materiais e pensaram, criaram obras e preservaram-nas para que os seus sonhos vivessem mais do que eles. Da diversidade do meio nasceram e cresceram ideias e ideais. Surgiu a inovação e a divulgação. Formaram-se opiniões e  a acção triunfou nas palavras perpetuando os seus géneros através da Arte.


A arte deu valor ao espírito e ao sentido de sentir. Nós podemos imaginar, podemos pensar, podemos fazer, podemos amar e queremos  mostrar. Temos uma vontade avassaladora de participar numa causa de tamanha grandeza, como o mundo. Nós existimos ao longo  de séculos e gerações, não somos apenas um caso isolado! O nosso olhar é de criança e nós podemos inventar porque vemos as ligações simples das coisas complexas e as ligações complexas das coisas simples. Ousamos portanto, dar asas à nossa Criatividade.


Foi talvez num desses voos em que nos lembramos da história do Icaro, e apesar de sermos orgulhosos, longe de nós –  queimar as asas e desperdiçar a jornada até ao céu. Nós estamos naquilo que está ao nosso alcance. A natureza cativa-nos imenso. É que à nossa volta existem flores, arbustos, árvores. Existem animais em todo o lado.  Existe um céu com pássaros, nuvens, astros  e algo mais para além disso. Existe um planeta que nos sustenta e nos atrai, existe água, em rios, lagoas, oceanos em nós e junto a nós, e tudo isso é habitado por milhões de criaturas e no ár que nos rodeia há biliões de moléculas que se atraem ou se repelem. À nossa volta existe vida e nós amamos isso, e queremos cuidar disso, do nosso Ambiênte.


É assim que construimos o nosso caminho e caminhamos de sentidos dispertos para o que nos importa. As pequenas e grandes coisas obedecem naturalmente a regras e leis, obedecem a elas apenas por existirem. Elas nascem, crescem, são fabricadas, desenvolvidas ou apenas inventadas. Apanham sol, apanham chuva, apanham frio, apanham calor, más vibrações, boas vibrações, música, barulho, silêncio, pressão, leveza, despreso e reconhecimento. Nascem, vivem e morrem. As coisas deterioram-se com o tempo, tornam-se gastas, mas podem-se tornar brilhantes, às vezes o tempo protege as coisas. Mas sobretudo, com o tempo as coisas tornam-se inúteis e são esquecidas, mas não desaparecem. Ora, hoje em dia produzimos demasiadas coisas que perdem a utilidade a partir do momento em que são adquiridas. Nós interferimos demasiado com os ciclos do nosso planeta. Os recursos que o nosso planeta transformou e armazenou durante biliões de anos, nós em décadas transformámos em lixo e gases tóxicos. Isto não tem lógica nenhuma. As pessoas que aprenderam a produzir, têm que aprender a utilizar e reutilizar os recursos já que o planeta não os consegue transformar com a nossa velocidade. Se usufruímos e gostamos, somos obrigados a contribuir para a Reciclagem.


Alguns dos habitantes deste planeta desenvolveram alergias perigosas e esquecem-se de admitir mas todas elas têm algo em comum, a sua realização encontra-se no processo da vida em si. Aquilo de que realmente gostamos é de criar, criar situações e estados de espírito, criar recompensas frequentes. É para isto que nos esforçamos diariamente. Nós ACAROS damos valor às nossas mãos e àquilo de que elas são capazes, damos valor à nossa mente  e àquilo de que ela é capaz. Nós temos carradas de exemplos e ideias nas prateleiras das ruas do nosso quotidiano, não temos desculpa para não saber mas como há tanto para saber nós temos que escolher. É na simplicidade do que cada um pode fazer que nos encontramos. É o que traça o nosso precurso de reponsabilidade e dever perante o nosso planeta. Para escolher nós gostamos de ver, experimentar perceber o que nos vai realizar. Nós gostamos de aprender e de aplicar o que aprendemos. Nós gostamos de fazer, de desenvolver as nossas iniciativas, nós gostamos de nos aplicar a 100% nos nossos Ofícios.


Nós giramos no centro de triliões de estrelas e gostamos de dançar por natureza. No nosso mundo existe melodia que vibra desde a criação de todas as coisas. Melodia que nos consome e que nos alimenta, entoando, grintando e se silenciando e também o ritmo que marca a existência da vida. Entre nós caminham estrelas que ouvimos e que nos fazem fluir a alma. Nós não temos limites, nós não temos fronteiras, nós vamos até aonde os nossos olhos virem, até onde a nossa alma quiser ir e onde não formos, será ouvido o eco do nosso Som.

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